Ano de eleição: segurar ou investir? Como tomar decisões na empresa em tempos de incerteza

Em ano de eleição, muita empresa trava tudo à espera do resultado. Veja como separar risco de ruído e decidir com método em tempos de incerteza.

Por Equipe RPM30 de setembro de 202610 min de leitura

"Vamos esperar passar a eleição."

Talvez você já tenha dito essa frase este ano. Ou escutado de um cliente, de um fornecedor, do gerente do banco. A contratação que estava planejada ficou para depois. A reforma do galpão, também. A compra da máquina nova, a abertura da filial, o reajuste da tabela. Tudo em compasso de espera.

Faz sentido ser prudente. Ano eleitoral mexe com juros, câmbio, humor do consumidor e disposição de quem compra. Mas existe uma diferença grande entre prudência e paralisia. E a paralisia tem um custo que quase nunca aparece na conta: as oportunidades que passam enquanto a empresa espera, a equipe que perde ritmo e os problemas internos que continuam lá, esperando junto.

Este artigo não é sobre política, nem sobre quem vai ganhar. É sobre como o empresário pode tomar boas decisões quando o cenário está incerto, em outubro deste ano ou em qualquer outro momento de instabilidade.

Você não está sozinho nessa espera

Uma pesquisa da Resenha Company com 100 empresários e executivos, feita em agosto de 2026, mostrou que 87,5% já sentem o impacto das eleições nos negócios. Em 39,1% dos casos, são clientes ou fornecedores adiando decisões. E 28,1% disseram que a própria empresa está esperando o resultado para se movimentar (CNN Brasil).

O dado mais interessante, porém, é outro: 20,3% fizeram o movimento contrário e aceleraram investimentos justamente para fugir do pico de incerteza. Ou seja, diante do mesmo cenário, empresas tomaram decisões opostas. E é aí que mora a questão: o cenário é o mesmo para todo mundo. O que muda é o jeito de decidir.

A mesma pesquisa mostra que a eleição não é a única preocupação. A adaptação à reforma tributária (64,1%) e os juros altos (53,1%) apareceram como pressões ainda maiores. Isso também aparece no Índice de Confiança Empresarial da FGV, que ao longo de 2026 refletiu a combinação de juros elevados, tensões internacionais e ciclo eleitoral (Gazeta do Povo).

Risco ou ruído? O que muda de verdade num ano de eleição

Nem tudo o que se fala em ano eleitoral afeta a sua empresa da mesma forma. Separar o que é risco real do que é ruído é o primeiro passo para decidir melhor.

O que pode mudar de verdade:

  • Juros e crédito. Em momentos de incerteza, o custo do dinheiro tende a oscilar, e isso pesa em financiamentos, capital de giro e no bolso do cliente que compra a prazo.

  • Câmbio. Quem importa matéria-prima, equipamentos ou revende produtos importados sente rápido as variações do dólar.

  • Confiança do consumidor e das empresas. Quando o comprador está inseguro, as decisões demoram mais, e o ciclo de vendas fica mais longo.

  • Regras e políticas públicas. Mudanças de governo podem trazer mudanças em programas, incentivos e prioridades, o que importa especialmente para quem vende para o setor público ou depende de algum incentivo específico.

O que costuma ser ruído:

  • A manchete do dia, que muda de direção na semana seguinte.

  • A opinião do grupo de WhatsApp sobre o que "com certeza vai acontecer".

  • A sensação de que "tudo vai parar", quando o seu cliente continua precisando do seu produto em novembro.

Uma boa pergunta para separar os dois: se isso acontecer, o que muda concretamente nos números da minha empresa? Se a resposta for "não sei" ou "nada", provavelmente é ruído.

"O cenário é igual para todo mundo. O que diferencia uma empresa da outra é o jeito de decidir diante dele."

O que continua dependendo de você, seja qual for o resultado

Existe uma lista de coisas que nenhuma eleição decide pela sua empresa. E, curiosamente, são justamente as que mais protegem o negócio em tempos incertos.

Caixa. Empresa com caixa organizado e reserva atravessa turbulência com muito menos susto. Empresa que vive no limite fica refém de qualquer oscilação.

Margem. Saber quanto cada produto ou serviço realmente deixa de lucro permite ajustar preço e mix com segurança, em vez de reagir no escuro.

Carteira de clientes. Uma empresa que depende de dois ou três clientes grandes está mais exposta do que uma com carteira diversificada.

Eficiência. Retrabalho, desperdício e processos confusos custam dinheiro em qualquer cenário. Momentos de incerteza são ótimos para atacar esses vazamentos, porque o esforço não depende do mercado.

Equipe. Liderança preparada, papéis claros e uma rotina de acompanhamento fazem a empresa reagir rápido quando o cenário muda, para qualquer lado.

Repare que todas essas coisas são, no fundo, gestão. E a boa notícia é que dá para trabalhar em cada uma delas agora, sem esperar outubro passar.

Planejamento por cenários: a ferramenta para decidir sem bola de cristal

Ninguém sabe o que vai acontecer. Mas dá para se preparar para o que pode acontecer. A ferramenta mais útil para isso é o planejamento por cenários, e ela é bem mais simples do que o nome sugere.

Passo 1: monte três cenários

Pense nos próximos 12 meses e escreva, em poucas linhas, três versões possíveis:

  • Pessimista: vendas caem, juros sobem, clientes atrasam pagamentos.

  • Base: as coisas seguem mais ou menos como estão hoje.

  • Otimista: a demanda aquece, o crédito fica mais barato, os clientes voltam a investir.

Para cada cenário, estime o faturamento, o custo e o caixa. Não precisa de precisão. Precisa de números razoáveis.

Passo 2: veja o que cada cenário exige

No pessimista, quanto tempo o caixa aguenta? Que custos poderiam ser cortados rápido? No otimista, a operação dá conta de vender mais? Onde travaria primeiro?

Só esse exercício já costuma mostrar coisas importantes, como uma reserva menor do que se imaginava ou uma área que não aguentaria um crescimento de 20%.

Passo 3: defina os gatilhos de decisão

Essa é a parte que tira a empresa da paralisia. Em vez de "vamos esperar passar a eleição", a decisão vira uma regra objetiva. Por exemplo:

  • "Se as vendas dos próximos dois meses ficarem acima de X, contratamos o novo vendedor."

  • "Se a inadimplência passar de Y%, suspendemos as vendas a prazo para novos clientes."

  • "Se o dólar ficar abaixo de Z, antecipamos a compra do equipamento."

Com os gatilhos definidos, a empresa para de decidir com base no humor do noticiário e passa a decidir com base nos próprios números. E, quando o cenário mudar, a decisão já está tomada.

Passo 4: acompanhe toda semana

Os indicadores que disparam os gatilhos precisam entrar na reunião semanal de resultados. Sem acompanhamento, o plano vira um documento bonito esquecido na gaveta.

Segurar ou investir? Algumas perguntas que ajudam

Se você está diante de uma decisão parada à espera da eleição, estas perguntas ajudam a tirar a dúvida:

  1. Essa decisão é reversível? Contratar um vendedor é mais reversível do que construir um galpão. Decisões reversíveis podem ser tomadas com menos certeza.

  2. Quanto custa esperar? Às vezes, o custo de adiar (perder um cliente, um fornecedor, um bom profissional disponível no mercado) é maior do que o risco de fazer agora.

  3. Ela depende do cenário ou da empresa? Organizar processos, treinar líderes e arrumar o financeiro trazem retorno em qualquer cenário.

  4. Dá para fazer em etapas? Muitos investimentos podem ser divididos: começar pequeno, testar e ampliar conforme os gatilhos forem atingidos.

  5. O caixa aguenta o cenário pessimista com essa decisão tomada? Se sim, o risco provavelmente é administrável.

E tem uma mudança que vem de qualquer jeito

Enquanto boa parte das atenções está em outubro, existe uma transformação que chega em janeiro de 2027, independentemente do resultado das urnas: a reforma tributária. PIS e Cofins dão lugar à CBS, e a forma de pensar preço, margem e caixa começa a mudar.

Para muitas empresas, esse é um impacto muito mais concreto e imediato do que o resultado da eleição. Se você ainda não olhou para isso, vale ler o nosso artigo sobre [o que muda na sua empresa com a reforma tributária em 2027]([[URL DO ARTIGO REFORMA]]).

Sua empresa está preparada para tempos incertos? Faça o teste

Responda pensando em como a sua empresa está hoje. Sim vale 2 pontos, em parte vale 1 e não vale 0.

  1. Sei quantos meses a empresa aguenta pagar as contas se as vendas caírem 20%.

  2. Tenho um fluxo de caixa projetado para as próximas semanas.

  3. Conheço a margem dos meus principais produtos ou serviços.

  4. Nenhum cliente sozinho representa mais de 20% do meu faturamento.

  5. Tenho uma reserva de caixa para imprevistos.

  6. Já pensei em como a empresa reagiria a um cenário pessimista e a um otimista.

  7. As decisões grandes têm critérios definidos, e não dependem só da minha intuição do momento.

  8. Os principais números da empresa são acompanhados em uma reunião fixa.

  9. Sei quais custos poderiam ser cortados rapidamente, se fosse necessário.

  10. A equipe de liderança sabe como agir se o cenário mudar.

Até 8 pontos: a empresa está exposta a qualquer mudança de cenário. Comece pelo fluxo de caixa e pela margem dos principais produtos.

De 9 a 15 pontos: existe alguma proteção, mas ela ainda depende muito de você. Monte os três cenários e defina os primeiros gatilhos de decisão.

16 pontos ou mais: a empresa está bem preparada. Use a sua vantagem: enquanto muitos concorrentes esperam, você pode aproveitar oportunidades com segurança.

Quer decidir com mais segurança?

Tempos de incerteza costumam mostrar com clareza onde a gestão da empresa está forte e onde ainda depende de improviso. Para uma primeira visão, faça o Termômetro da gestão no nosso quiz. Em menos de cinco minutos, ele mostra quais áreas precisam de atenção na sua empresa.

E se quiser um olhar de fora, o Diagnóstico Empresarial da RPM avalia a empresa como um todo, identifica o gargalo que mais pesa hoje e ajuda a definir por onde começar. Há 14 anos a RPM trabalha lado a lado com empresas de dono, com mais de 2.600 empresas atendidas em 205 cidades.

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Perguntas frequentes sobre decisões empresariais em ano de eleição

Vale a pena investir na empresa em ano de eleição?
Depende do tipo de investimento e da situação da empresa. Investimentos reversíveis, que podem ser feitos em etapas ou que trazem retorno em qualquer cenário (como organização de processos, gestão financeira e formação de líderes), costumam fazer sentido mesmo em momentos incertos. Para decisões grandes e irreversíveis, vale montar cenários e definir gatilhos antes.

Como as eleições afetam as empresas?
Principalmente pelo lado da incerteza: oscilações de juros e câmbio, mudança no humor do consumidor e decisões de compra adiadas por clientes e fornecedores. O impacto varia muito conforme o setor, a dependência de crédito e o tipo de cliente de cada empresa.

O que é planejamento por cenários?
É uma forma de se preparar para diferentes futuros possíveis. A empresa monta três versões dos próximos meses (pessimista, base e otimista), estima o impacto de cada uma nos números e define com antecedência o que fará em cada caso.

O que são gatilhos de decisão?
São regras objetivas que disparam uma decisão quando um indicador atinge determinado valor. Por exemplo: contratar quando as vendas passarem de certo patamar, ou cortar um custo quando a inadimplência subir. Eles tiram a decisão do campo da intuição e evitam que a empresa fique parada esperando.

Devo esperar o resultado da eleição para tomar decisões?
Esperar pode fazer sentido para uma decisão específica, grande e irreversível. Mas travar a empresa inteira costuma sair caro. O mais importante é saber quanto custa esperar e definir, com critérios claros, o que precisa acontecer para a decisão ser tomada.


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A RPM é especializada em gestão e educação empresarial para empresas de dono. Há 14 anos ajuda empresários a profissionalizar a gestão, com mais de 2.600 empresas atendidas em 205 cidades e unidades em Passos (MG), Franca (SP) e Ribeirão Preto (SP). Conheça a RPM

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